sábado, 17 de julho de 2010

ALZIRA NOGUEIRA REIS


1ª Mulher a Votar no Brasil
1ª Médica de Minas Gerais

Nascida em 8 de Novembro de 1886, em Minas Novas, em uma casa na descida da Barra. Falecida em 23 de Agosto de 1970, em Niterói. Está sepultada no Cemitério do Maruí, no jazigo 966, da Família Vieira Ferreira.

Filha de José da Costa Reis e de Dona Augusta Pinheiro Nogueira. Neta paterna de Antonio Mendes dos Reis e Carlota Maria dos Reis. Neta materna de José Bento Nogueira e Cândida Pinheiro Torres.

ÁRVORE DE COSTADOS
Bisneta paterna de Antonio Mendes da Costa e Theodora Maria dos Reis. Bisneta paterna de Joaquim José dos Reis e Maria Francisca de Paula. Bisneta materna do Guarda Mor José Bento Nogueira Góes e Jacinta Maria da Conceição. Bisneta materna do Guarda Mor João Pinheiro Torres e Ana Ferreira Coelho. Terceira neta paterna de João Mendes da Costa e Maria Rosa do Nascimento. Terceira neta paterna de Manoel da Rocha Reis e Francisca Bárbara da Encarnação. Terceira neta paterna de Manoel dos Reis e Maria da Conceição (na dúvida) Terceira neta materna de José da Silva e... Nogueira Góes. Terceira neta materna de Jacinto Alves da Costa e Maria Cardoso de Matos. Terceira neta materna Francisco Pinheiro Torres e de Dona Ana Alves de Macedo. Terceira neta materna de José Ferreira Coelho e Ana Thadéia de Jesus. Quarta neta paterna de Antonio Mendes da Costa e Antonia Gomes. Quarta neta paterna de Antonio de Sousa Machado e Maria Dias. Quarta neta materna de Manoel Nogueira de Sá e Ignácia Maria de Jesus. Quarta neta materna de Francisco Antonio da Costa e Joaquina Alves Chaves. Quarta neta materna de Jacinto Cardoso de Matos e Ana Pereira Guedes. Quarta neta materna de Manuel Pinheiro Torres e Jacinta Maria Marques. Quarta neta materna de Domingos Alves de Macedo e Ana Mariz. Quarta neta materna de Francisco Ferreira Coelho e Maria Escolástica de Figueiredo. Quinta neta paterna de Rafael de Sousa Machado Magalhães e Menezes e Josefa da Silva Vieira. Quinta neta materna de José de Sá e de Dona Joana Nogueira do Prado Leme. Quinta neta materna de José Garcia Rosa e Maria Rosa. Quinta neta materna de Ernesto José da Costa e Prudência Antonia Joaquina de Jesus. Quinta neta materna de Manoel de Sousa Guedes e Maria Nunes Pereira. Quinta neta materna de Manuel Joaquim Torres e de Dona Maria Pinheiro Batista. Quinta neta materna de Domingos de Macedo e de Dona Joana Micaela de Jesus. Quinta neta materna de Pedro Leolino Mariz e Bernarda Mariz d´Olivença. Sexta neta materna de Bento Francisco Martins e Jerônima Sá. Sexta neta materna de Thomé Rodrigues Nogueira do Ó e de Dona Maria Leme do Prado. Sexta neta materna de Pedro Vieira e Maria Rosa. Sexta neta materna de Francisco Botelho e Maria da Conceição das Neves. Sexta neta materna de Manoel Rodrigues Góes e Maria de Borba Gato. Sexta neta materna de João Pinheiro Neto e Lourença Maria. Sexta neta materna de Manoel Antonio e de Dona Thereza de Jesus. Sexta neta materna de João Álvares e de Dona Maria Donvirgem.


MAGISTÉRIO
Fez o curso normal em Minas Novas, na Escola fundada pelo seu avô, Senador José Bento Nogueira. No Rio de Janeiro, matriculou-se no Berlitz School, onde aprendeu inglês e francês.

Segundo o seu Diário “Muito de Mim para Meus Filhos”, lia os livros de seu tio materno, Deputado Nogueira Jr.

De sua biblioteca (*), na sua ausência, retirei dois livros que muito influenciaram sobre mim: “Estudos Alemães” e “Polêmicas”, de Tobias Barreto. Sempre busquei autores por este citados, como Sílvio Romero, Mme. De Stäel (De L´Allmagne) e muitos outros.


Sem dúvida alguma, a grande paixão de Alzira era Nietzche. Em 1965, deu-me o seu exemplar de “Assim Falava Zarathustra” e sempre o me pedia de volta. Eu levava, ela o lia por algum tempo e me devolvia. Guardo-o até hoje.

Aos 16 anos, recebendo o Diploma de Professora, assumiu a cadeira de Santa Cruz da Chapada, indo mais tarde para Minas Novas ocupar uma vaga deixada por um professor que falecera. Dali transferiu-se depois para o Grupo Escolar de Ouro Preto, até que o Governo designou-a para Juiz de Fora. Assim, foi que começou a lutar pela vida a futura doutora. Em Juiz de Fora foi que nasceu na então Professora, a vontade de ser médica, e ali fez os devidos preparos, a fim de se submeter aos exames do curso secundário, que naquele tempo constava dos exames chamados “de conjunto”. Transferida para Belo Horizonte, pode concretizar seu grande sonho.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina


Professora, aos 16 anos, em Santa Cruz da Chapada, tendo ficado sob os cuidados do primo Monsenhor Mendes.


Em Santa Cruz da Chapada passei mêses de trabalho e de tristeza; como viver longe assim de casa? De fato eu tinha ali o Monsenhor Mendes (Pe. Antonio Mendes Nogueira), meu primo, filho de tia Ritinha, irmã de vovô, e do seu 1º. marido que eu não conheci. Seu 2º marido foi quem levou de Ouro Branco para lá meu Pai, e por isto nós o chamávamos Vovô Mendes e à nossa tia, Vovó Ritinha. Professora em Minas Novas, ocupando a vaga de um professor que falecera:


Então já era eu professora primária em Minas Novas, tendo antes ficado quasi 1 ano, como professora distrital, em Santa Cruz da Chapada, ganhando menos de 120,00 mensais. Meu Avô, político, arranjou-me essa nomeação e a remoção para a cidade onde o ordenado era de cêrca de 150,00 por mês. Alegre por ver-me trabalhando, dizia-nos: “Vocês recebem os juros de trinta contos! É uma fortuna!”

Professora em Ouro Preto, segundo seu Diário:

Se não o fizesse, interpretariam mal as frases mal ouvidas e no dia seguinte os disse-que-disse se avolumavam... Afinal decidi-me: vim com meu Avô para Belo Horizonte, fui ao presidente Bueno Brandão e lhe pedi minha remoção para a Capital. - “Aqui não há vagas, mas está em organização o grupo escolar de Ouro Preto; há oitenta candidatas mas farei sua remoção, se quizer...”


Transferida pelo Governo, foi Professora em Juiz de Fora, transferida depois para Belo Horizonte. Em Teófilo Otoni, fundou o “Curso São Vicente”, quando ainda não havia Ginásio na cidade.

A ESCRITORA

Foi poetisa, autora de muitos versos nos idos de 1900, como demonstra a crítica publicada no Jornal Argonauta, da cidade de Tubarão, de Santa Catarina. Durante esse meio século de existência de vida tranqüila e feliz, Belo Horizonte tem ouvido o canto de muitas poetisas que aqui viveram e sonharam. De memória podemos fazer uma ligeira estatística das que mais versos publicaram nos jornais e revistas que aqui circularam durantes esse longo período (cita várias poetisas).


Alzira Reis, em 1913, freqüentava a Escola de Medicina, onde se distinguia pelo seu talento e pela sua cultura. Num dos números de “Vita”, dessa época, encontramos sob o título “Às Portas da Ciência”, o seguinte soneto de sua autoria:

Que importa o que se diz. As velhas teorias
Estão cheias de pó, corroídas pela traça;
Pertenço à geração moderna destes dias,
Meu cérebro evolui, minha alma a ciência abraça!
Permitam-me que pense e cerre às fantasias
Meu coração. Sou livre e tudo me embaraça!
Prendem-me às tradições, roubam-me as energias
E às idéias irreais mandam-me erguer a taça!
É frágil a mulher; num momento impensado,
Sem o temor de um Deus, dos pais ou dos amigos
Interna-se na noite escura do pecado”.
Ó deixem-me lutar, se querem ver e crer;
Por entre as multidões, em meio dos perigos
Mais duradouro se ergue o templo do Dever!

“História Alegre de Belo Horizonte”
De Djalma Andrade


Em meados dos anos 50, iniciou um manuscrito “Muito de Mim para Meus Filhos”, mas não foi além de umas cinqüenta páginas de um caderno escolar. No final dos anos 60, Alzira publicou o romance: “Amores na Guerra e na Paz”.

A REVOLUCIONÁRIA
“Devia haver mais mulheres no mundo pensando como eu...”.
“O destino da mulher não podia ser o fogão“.
“Sentia-me prisioneira fora e dentro de mim”.
“Não me caso enquanto não houver divórcio no Brasil”.


São desabafos que expressam o pensamento de Alzira, nos idos de 1900, escritos por ela em seu diário, em 1952. As idéias libertárias de Alzira, o seu desejo de igualdade, talvez se expliquem pelo contato com o meio social da Capital Federal, onde as informações dos acontecimentos políticos e feministas na Europa e nos Estados Unidos chegavam pelos jornais. É possível que as constantes viagens ao Rio de Janeiro, em companhia do avô Senador, tenham influenciado o pensamento de Alzira, moça do interior de Minas Gerais.

É preciso considerar também o ambiente familiar em que Alzira vivia, os homens em especial, como veremos adiante. Homens cultos, influentes, de pensamento avançado para a época, certamente foram marcantes para que Alzira se tornasse uma mulher de fibra e ousada, mas em especial, acreditamos na influência de uma mulher excepcional para o seu tempo: a sua tia materna, Luiza Pinheiro Nogueira, conhecida como Sinhazinha Badaró, que foi Chefe Política de Minas Gerais.

Pequena Biografia de Sinhazinha Badaró
Luiza Pinheiro NogueiraNascida em 1 de Novembro de 1868. Falecida em 12 de Maio de 1954. Conhecida como Sinhazinha Badaró. Chefe Política no Vale do Jequitinhonha. Com a morte de seu marido, Sinhazinha entrega ao seu filho, Badaró Jr., a chefia política de Minas Novas. Dividido o jovem Badaró Jr. não aceita a responsabilidade com receio de prejudicar sua bela carreira de médico. Ante a recusa do filho em ocupar a chefia política, Dona Sinhazinha toma a decisão de tomar as rédeas da política de sua terra.

Sinhazinha Badaró
Valdivino Pereira Ferreira


Mais importante ainda são as conquistas de Alzira à luz dos dias de hoje quando sabemos que, no início de 1900, as suas viagens ao Rio de Janeiro eram feitas em lombo de mula. De Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, até Belo Horizonte, eram cerca de 500 km percorridos, e até Diamantina, 300 km representando muitos dias de viagem em lombo de mulas. Em Belo Horizonte, ou em Diamantina, tomava-se o trem para o Rio de Janeiro.

A JORNALISTA

Em Teófilo Otoni, colaborou por longos anos publicando seus trabalhos no “O Nordeste Mineiro”. Em companhia de seu marido, o Dr. Vieira Ferreira Neto, hoje, Juiz de Direito em Niterói, fundou o jornal “O Estudante”. Figuram escritos seus na “Tribuna Feminina”, e na imprensa de Belo Horizonte, Rio e Niterói.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina


Em companhia do seu marido, Dr. Joaquim Vieira Ferreira Netto, fundou o jornal “O Estudante”, em Teófilo Otoni, entre 1926 e 1931.

Articulista
Alzira jamais deixou de escrever. Morasse onde morasse estava sempre colaborando com os jornais locais, defendendo as suas causas.

Jornal “O Mucuri”, de Teófilo Otoni.
Jornal “O Nordeste Mineiro”, de Teófilo Otoni.
Jornal “Tribuna Feminina”, de Teófilo Otoni.
Jornal “Diário da Noite”, Ouro Preto.
Jornal “O Fluminense”, de Niterói.
Revista Feminina, de São Paulo

Revista Feminina
A Revista Feminina, uma publicação mensal dirigida às mulheres, publicada entre 1914 e 1936, em São Paulo, por Virgilina Salles de Souza, e que teve entre as suas colaboradoras Júlia Lopes de Almeida, Francisca Júlia da Silva, Alzira Reis, Francisca Praguer Fróes, jamais esposou tal idéia. Como observa Sandra Lima em seu estudo sobre a revista:

“O divórcio era encarado como ultrajante e prejudicial à mulher, e para reforçar essa visão colaboradoras expressavam seu repúdio a esse perigo que punha em risco sua soberania no lar”.
(LIMA, 1991:195)
Francisca Praguer Fróes e a Igualdade dos Sexos
Elisabeth Juliska Rago


A Apresentação
Revista Feminina Junho de 1918 N. 49
São Paulo Ano V - Página 6


Uma Escritora Mineira
Nossa Revista vai atraindo dia a dia , a atenção e as simpathias das pessoas mais representativas da sociedade brasileira. Raro é o dia em que não recebemos uma carta, firmada, hora por um homem de letras, ora por uma sacerdote ou chefe de família, em que é louvada a nossa atitude e encorajado o nosso esforço. De todos os pontos do paiz são-nos dirigidos economios enthusiasticos. Nem sempre nos é possível trasncrever esses economios, por mais que, como é de ver, nol-o solicite o amor próprio. Quem agora nos escreve, offerecendo a sua pena e pondo-se lelmente ao nosso lado, é D. Alzira Reis, uma das mais brilhantes e intelectuaes representantes do nosso sexo.

D. Alzira Reis é doutoranda de medicina em Minas. Dotada de uma indole eminentemente combativa, não se contenta ella de dedicar-se apenas as matérias de que conta o seu curso médico: apraz-lhe, também, guiar o seu espírito curioso atravez de idéias que mais de perto devem interessar a mulher brasileira, no sentido de a dignificar e honrar no seio da família e da sociedade.
Pela carta que nos dirigiu a distincta cultora das letras, a sua indole de combate está patentemente demonstrada. Muitas das suas idéias, em matéria philosophica e religiosa, não são as nossas; a muitos dos seus conceitos, externados em artigos de jornaes , opomos o nosso, contrario. Isso não obsta a que reconheçamos na jovem doutoranda de medicina as mais raras aptidões para as Letras e uma aguçada percepção para as indagações philosophicas.

D. Alzira Reis é também uma notável poetisa. Maneja o verso e o vernáculo com precisão. Dentre alguns sonetos que compoz, destacamos o que tem por título “Sigamol-o!” que quer como fórma quer como inspiração e execução é excellente.
Ei-lo:

Sigamol-o!
Sigamol-o! Jesus é Deus e é sciencia.
Que achais que aqui não encontrais?
Em vez de lhe cantardes a demencia
Entendei-lhe os princípios divinaes.
Só exaltes a sciencia sem consciencia.
Vossos pensares não! Mas são reaes!
Fazei de vossa vida uma potencia
Renunciando aos gosos pelos ais.
Com Christo alfim tereis felicidade.
Homens! Ouvi-lhe prestes o conselho!
Mais que elle, no universo, amar quem hade?
“Salva Jesus os crimes do homem velho”
Além da sciencia, é amor, é divindade.
Onde a razão? _ Nas folhas do Evangelho.

Todas as demais composições da distincta poetisa se mede por esse soneto.


Artigos da Revista Feminina
Desafiando até mesmo a orientação editorial da Revista, Alzira não temia se expor, defendendo seu pensamento sobre os direitos da Mulher.

Curiosidade
Alzira era uma leitora ávida do “Diário Oficial”, fato que sempre me pareceu estranho até que eu descobri que, na verdade, acompanhava o andamento de um processo que abrira, depois dos 70 anos, contra o Tribunal de Justiça em que pleiteava melhorias na pensão de viúva.

1ª MÉDICA DE MINAS GERAIS

"Minas, a Terra Católica, toma-me por imoral!"

Alzira formou-se em 1920 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Em represália pela ousadia, Dona Augusta ficou seis meses sem falar com a filha. Foram imensas as lutas de Alzira contra o preconceito.

Imperavam os preconceitos por toda a parte, e em Minas mais que em outros centros ventilados pelas brisas marinhas. Entre montanhas fechada, Minas – a terra católica – entendia que à mulher Deus reservara apenas o fim de ter filhos e cria-los. Como lutei contra o preconceito de que é imoral a mulher que estuda Medicina! E o meu cérebro carecia de saber! E o saber, êsse ou aquêle, era a meu ver elevação feminina, rompimento das cadeias que a traziam presa à ignorância, a costumes de atrazo e obscurantismo já incompatíveis com as exigências de civilização e da dignidade da mulher dentro e fora do lar.

Matriculada no 1º Ano de Medicina, fui chamada à Secretaria, melhor à Directoria: o sr. Diretor desejava conversar comigo. Espírito elevado, o dr. Cícero Ferreira, 1º Diretor e um dos fundadores da Faculdade, propôs-me continuar na Faculdade de Farmácia, de onde eu me transferira, e – feito esse curso de 3 anos - faria eu o de Chímica (Química), de 3 anos também, e êle me garantia uma cadeira das de química da Faculdade. Refleti longos minutos; o oferecimento era deveras tentador... Mas eu prometera a mim mesma fazer o curso médico; faltar a esse compromisso era rebaixar não a mim só, mas a mulher em geral.
Havia mulheres médicas, eu sabia, mas o preconceito perdurava, e a todo momento focalizava-se o tal peso do cérebro da mulher como inferior ao do homem. Tolice dos tolos.

Eu me matriculára para ser médica – respondi ao Diretor. Agradeci. - Não se arrependa no futuro... - predisse. Como lutei! E já no 1º Ano comecei a sofrer: fui reprovada justamente em química! Meu professor era o alemão Alfredo Schaeffer, que eu muito admirava; cavalheiro mas exigente. - Podia ter dado simplesmente à senhora, mas isto não é nota para a senhora... - disse-me êle, desculpando-se. Estudei durante as férias, noite e dia; abstive-me de tudo que não o estudo de química organica e inorganica. Ao cabo de 3 mêses fui aprovada com distinção. Lembro-me de uma nota à margem em uma prova parcial de Física (1º Ano) escrita pelo Professor Zoroastro Alvarenga: - Os últimos são os primeiros. Muito bem. Por efeito mesmo de minha transferência, faltei as primeiras aulas.


Não me esquecerei jamais de quando entrei, pela primeira vês, na Sala de Anatomia, já no 2º Ano: mesas de mármore dispostas de um e outro lado da vasta sala, uma passagem entre todas, e eu caminhando de alma e cabeça altivas buscando a tarefa que me havia designado o professor.


Em cada mesa um cadáver nú, brancos, pretos, morenos e todos os olhares me buscavam – eu sentia. Por que? Porque os cadáveres eram nús, porque ali, naquela nudez estava o quê de preconceito e imoralidade:

“Ver homens nús ? Que horror!”

Era a meu ver material de estudo, e me foi entregue uma articulação de joelho para dissecar.

Gostava de estudar Anatomia, mas preferia o estudo nos livros, no meu Iestut grande, de 4 volumes, onde havia muita “letra miúda”, anotações que o Professor Borges da Costa gostava de perguntar, mas não havia o vapor do formol a arder nos olhos. Plenamente foi minha nota, quando sonhei distinção! Vasta a matéria, gastava longas horas estudando sistema nervoso, os trabalhos de Mlle. Stefamorska, russa ou polonesa, que eu adorava e desejava imitar.

Meu Testut grande (havia o resumo em 1 pequeno volume) – vendi-o no 6º. ano porque careci de dinheiro. Sofri com essa perda e hei de ainda ter esse autor, que hoje custa alto preço. Meus livros eram todos em francês, menos 2 ou 3 apenas. Apenas me recordo de uma Física Médica (1º. ano), da Higiene, de Afrânio Peixoto e outro, não sei, de Medicina Legal. Alguns vendi (como eu precisava de dinheiro na ocasião das matrículas para comprar novos livros!), e sinto falta, até hoje, do tratado de Fisiologia de Gray, do meu caro Testut “grande” (Anatomia, Traité d´Anatomie), de obras de Fisiologia Nervosa, de autores de Semiologia Médica, etc., etc.

(...) Assim passamos, mas os moços do 5º ano, já aborrecidos desde o ano anterior, mais alguns professores, conseguiram a retirada desse homem, que foi aceito na Faculdade de São Paulo, de onde saiu mais tarde sob tiroteio e nem sei mais o quê de terrível. Era o inverso do Professor Alfredo Schaeffer, que só deixou a cadeira de Química e o Laboratório de Analyses do Estado quando o Brasil declarou guerra a Alemanha, para onde se foi.


Novembro de 1952
Muito de Mim para Meus Filhos
Alzira Reis Vieira Ferreira

Os Preconceitos
Os preconceitos, Alzira os sentia em todos os ambientes. Foi expulsa da pensão de moças em Belo Horizonte onde morava, foi proibida de freqüentar alguns lugares além das perseguições na Faculdade.

Em casa, sua mãe Augusta ficou sem meses sem lhe dirigir a palavra.

"Se Minas não se civiliza, civilizo-me eu!"

E arrogante, em viagem ao Rio de Janeiro, cortou o cabelo "à la Cocote", o famoso Chanel dos dias de hoje, corte que adotou para a vida toda, provocando um imenso escândalo em Minas.

Aluna Ilustre da Universidade Federal de Minas Gerais

"O acolhimento da diferença é vital para a Universidade"
Ana Lúcia Gazzola
Reitora da UFMG


Há momentos na vida de cada um de nós em que a experiência, de tamanha intensidade, se torna epifania. Os tempos se superpõem e se entrecruzam. O olhar, iluminado pela alegria e emoção do presente, busca, ora o passado, ora o futuro, ora nostálgico, mas cheio de gratidão, ora pleno de ansiosa esperança. (...) Acorrem à nossa memória emocionada os nomes de Fernando de Mello Viana, Afonso Pena, Gustavo Capanema, Arthur Versiani Velloso, Francisco Mendes Pimentel, José Baeta Vianna, Alzira Nogueira Reis, Otacílio Negrão de Lima, Cyro dos Anjos, Abgar Renault, Carlos Drummond de Andrade, Odilon Behrens, Henriqueta Lisboa, Milton Campos, Pedro Aleixo, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Tancredo Neves, Edgard da Mata Machado, José Carlos da Mata Machado, Rubens Romanelli, Amilcar Vianna Martins, Hélio Pellegrino, Wilton Cardoso de Souza, Guimarães Rosa, Wilson Teixeira Beraldo, Etelvina Lima, Francisco Magalhães Gomes, Pedro Nava, Sônia Viegas, Francisco Iglésias, Herbert José de Souza, o Betinho. Eles, e muitos outros de igual estatura, renovam permanentemente a grandeza da Universidade Federal de Minas Gerais.

Boletim Informativo - Nº 1343 - Ano 28 - 01.04.2002
Trechos do discurso proferido no dia 22 de Março.
A íntegra está disponível na página www.ufmg.br.

VERBETE

“Para médica da roça, a senhora sabe o suficiente”.

Professor Hugo Werneck

Dra. Alzira Reis Vieira Ferreira foi a Primeira Médica diplomada pela Faculdade de Medicina de Minas Gerais. Foi igualmente a Primeira e Única representante feminina, formada em Medicina, que clinicou em Teófilo Otoni. Diplomada em 1920, já em 1926 chegava a esta cidade onde permaneceu até 1931.

A turma da Dra. Alzira reunia uma elite de estudantes, que mais tarde se transformou em nomes consagrados na medicina mineira, quiçá do Brasil. Foram seus colegas os Profs. José Baeta Viana, José Aroeira, Ramiro Berbert de Castro Ernani Agrícola e muitos outros que ocupam lugar de destaque no cenário nacional. No quarto ano do curso médico, ocupou o lugar de interna da Clínica Pediátrica, sob a direção do Prof. Samuel Libanio.

Após sua formatura, clinicou em Minas Novas, Friburgo e Teófilo Otoni. Possui a Dra. Alzira uma enorme bagagem de trabalhos científicos, bem como várias publicações de fundo jornalístico e ainda várias poesias. Além de trabalhos esparsos sobre Pediatria, fez também publicar um magnífico Relatório sobre o Serviço de Lepra em Niterói.

Em Teófilo Otoni, colaborou por longos anos publicando seus trabalhos no “O Nordeste Mineiro”. Em companhia de seu marido, o Dr. Vieira Ferreira Neto, hoje, Juiz de Direito em Niterói, fundou o jornal “O Estudante”. Figuram escritos seus na “Tribuna Feminina”, e na imprensa de Belo Horizonte, Rio e Niterói.

Aos 16 anos, recebendo o Diploma de Professora, assumiu a cadeira de Santa Cruz da Chapada, indo mais tarde para Minas Novas ocupar uma vaga deixada por um professor que falecera. Dali transferiu-se depois para o Grupo Escolar de Ouro Preto, até que o Governo designou-a para Juiz de Fora. Assim, foi que começou a lutar pela vida a futura doutora. Em Juiz de Fora foi que nasceu na então Professora, a vontade de ser médica, e ali fez os devidos preparos, a fim de se submeter aos exames do curso secundário, que naquele tempo constava dos exames chamados “de conjunto”. Transferida para Belo Horizonte, pode concretizar seu grande sonho.

Teófilo Otoni deve à Dra. Alzira dois grandes empreendimentos: o primeiro constando do “Curso São Vicente”, onde a mocidade desta terra podia receber os melhores ensinamentos, de vez que por aquele tempo ainda não existia o Ginásio.

O segundo foi a fundação do 1º. Centro de Puericultura, uma obra de grande alcance, e que prestou grandiosos serviços à nossa cidade, tal como vem realizando o atual Lactário. Para a realização deste notável empreendimento, é a Dra. Alzira quem fala:

Contei com o apoio integral, com o elevado auxílio oficial do
humanitário e distinto descendente dos Ottonis, o Dr. Lourenço Ottoni Pôrto;
do eficiente e constante auxílio do Farmacêutico João Neves; da assistência prestimosa da Dra. Edith Machado e outros elementos de destaque da sociedade de Teófilo Otoni, que merece todo meu carinho grato e amigo.


Chamava-se “Ambulatório Infantil Moncorvo Filho”, a fundação da Dra. Alzira Reis Vieira Ferreira, que desde o primeiro instante contou com toda a dedicação e trabalho de seu colega Dr. Paiva. O Ambulatório contou com todo apoio do Dr. Moncorvo Filho, que além dos auxílios necessários, prometeu uma visita ao Serviço, o que infelizmente não foi efetuado. Em Niterói, a Dra. Alzira ocupou durante a Interventoria Amaral Peixoto, o cargo de Médica do Centro de Saúde.

Fundou e presidiu a Sociedade Fluminense de Assistência aos Lázaros e o Preventório Vista Alegre, destinado aos filhos sadios de lázaros. Entre 1933 e 1941, a vida da distinta Médica foi toda dedicada à função humanitária, exercida gratuitamente em benefício dos atingidos pelo Mal de Hansen. Conseguiu, porém, grandes vitórias e a maior delas é ter deixado 100 crianças abrigadas em prédio próprio e a garantia da continuidade de seu notável trabalho.

De fato, até a data presente, existe o “Educandário Vista Alegre”, prestando seus inestimáveis benefícios, prestigiado, como o fora na época de sua fundação pelas autoridades federais e estaduais.

Em 1941, a Dra. Alzira recolheu-se ao lar:


“Para os meus quatro filhos cuja educação pedia minha assistência”.

A partir de 1941, deixou completamente a clínica, não freqüentou mais a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Niterói, mas guarda com todo carinho o diploma honroso de sócia daquela entidade. Interessante para nós outros, é relembrar o verdadeiro círculo de aço que envolvia a nossa biografada por volta do ano de 1913, data do início de seu curso de Medicina. O preconceito dominava as camadas sociais da capital mineira. Falar que uma representante de sexo fraco ia estudar Medicina era absurdo. O curso médico era considerado:

“Nada prático para a mulher”.

O próprio Prof. Cícero Ferreira adverte a caloura de medicina sobre a imprudência que ia cometer. Amigo intransigente dos seus alunos, procurava, na medida do possível auxiliá-los e com a estudante Alzira foi muito franco. Os obstáculos foram removidos:

Porque eu tinha um compromisso comigo mesma, especialmente com a Mulher em geral: a capacidade feminina, de trabalho intelectual então espezinhada, devia mais uma vez demonstrar-se (pensava eu) e assim eu poderia obter cultura maior. A luta era grande, tanto quanto o meu espontâneo amor à ciência.
Tracei o caminho e fui ao fim. Era o essencial...

Nasceu da pragmática daquela época, a frase pronunciada pelo Prof. Hugo Werneck, depois de ter conseguido provas finais na cadeira de Ginecologia, considerada “facultativa”, baseado na falta de apresentação de uma prova parcial pela turma da Dra. Alzira. O sábio e exigente Professor não deu a nenhum aluno mais que um “simplesmente”, e se dirigindo à futura médica, disse: “Para médica da roça, a senhora sabe o suficiente”. E assim foi que a Dra. Alzira Reis Vieira Ferreira conseguiu realizar seu desejo: assim pode fazer algo que hoje consagra o seu nome.

100 Anos de Medicina - Páginas 53 a 56
Djalma Andrade

Gripe Espanhola
Segundo a Professora Ismênia de Lima Martins, Alzira esteve de plantão no Ambulatório de Belo Horizonte durante a grande epidemia do início do século XX.

“Minha mãe não tinha vocação para cobrar. Só dava consultas de graça”.

Vicente Fernando Vieira Ferreira

Serviço Público
Em Niterói, foi nomeada Médica do Serviço Público Estadual, onde atuou por algum tempo, até descobrir irregularidades e pedir demissão. Era obstetra com consultório na Av. Amaral Peixoto.

Correspondência com Médico de Manguinhos
Um bom exemplo dos preconceitos que Alzira enfrentou está na carta que recebeu, em resposta, do Dr. Antonio Souza de Araújo:

Manguinhos, 26 de Julho de 1941.
Presada colega e amiga Dra. Alzira

Cordiais saudaçõis
Respondendo ao seu cartão de 21 do corrente, aliás dois, pois há outro do dia 20, cabe-me informar-lhe que tão cedo não haverá curso de leprologia. Neste Instituto dou a matéria cada fim de ano, de modo resumido, a cada turma de médicos do Curso de Aplicação. Acho mais acertado que a Sra. se dedique, no Centro de Saúde, a outra especialidade de mais larga repercussão e utilidade para a sua atividade profissional.
Fazendo sinceros votos pela sua felicidade pessoal, incito-a a não abandonar de todo a sua criançada do Preventório de Vista Alegre.
Com toda a estima e consideração
Seu colega Antonio Souza Araújo

EDUCANDÁRIO VISTA ALEGRE

Foi a Idealizadora, Fundadora, e Administradora do Educandário Vista Alegre, em Itaboraí, para filhos dos Portadores de Hanseníase. Durante muitas décadas se dedicou integralmente ao Educandário, administrando-o como se fosse a sua casa.
Em 1939, Dra. Alzira fundou e presidiu a Sociedade Fluminense de Assistência aos Lázaros e o Preventório Vista Alegre, destinado aos filhos sadios de lázaros. Entre 1933 e 1941, a vida da distinta Médica foi toda dedicada à função humanitária, exercida gratuitamente em benefício dos atingidos pelo Mal de Hansen. Conseguiu, porém, grandes vitórias e a maior delas é ter deixado 100 crianças abrigadas em prédio próprio e a garantia da continuidade de seu notável trabalho.

De fato, até a data presente, existe o “Educandário Vista Alegre”, prestando seus inestimáveis benefícios, prestigiado, como o fora na época de sua fundação pelas autoridades federais e estaduais. Em 1941, a Dra. Alzira recolheu-se ao lar:
“Para os meus quatro filhos cuja educação pedia minha assistência”.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina


Na Luta contra a Hanseníase
Na área médica, juntou-se a Alice Tibiriçá nos cuidados com os filhos dos Portadores de Hanseníase, dedicando-se a eles pelo resto da vida.

Pequena Biografia de Alice Tibiriçá
Fundadora da Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra. Alice de Toledo Ribas Tibiriçá, nasceu dia 9 de janeiro de 1886, na cidade de Ouro Preto, estado de Minas Gerais mas viveu na cidade de São Paulo onde conheceu e se casou com João Tibiriçá Neto. Alice foi uma das grandes atuantes das causas sociais no Brasil na primeira metade do século XX. (...) Durante a década de 1920, organizou a Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra. (...)


A Sede Oficial
Alzira começou a construção da nova sede ainda em 1937. Para tanto teve o apoio irrestrito do Dr. Noronha Santos, engenheiro e autor do projeto e construtor, e do Dr. Luis Palmier, médico ilustre, amigos queridos de Alzira e beneméritos do Educandário Vista Alegre.

Pequena Biografia do Dr. Noronha Santos
Engenheiro, Construtor do Educandário Vista Alegre e seu Benemérito. Funcionário do Departamento Estadual de Obras, construtor do Hospital de São Gonçalo. Para ele, “tudo que concerne com a questão hospitalar no Brasil classifico de primordial e inadiável. Sendo estabelecimentos de saúde e visando a eugenia da raça, necessário se torna o apoio coletivo, e o hospital de São Gonçalo estou certo, preencherá tal finalidade não só pelo núcleo de abnegados que esposou a sacrossanta cruzada como também devido ao amor próprio do povo gonçalense, habituado a grandes acontecimentos, que saberá como ninguém conservar intangível o glorioso e utilíssimo patrimônio”.

Pequena Biografia do Dr. Luis Palmier
Político, Patrono da Cadeira 23 de Academia Fluminense de Medicina. Nasceu em Sapucaia (RJ) em 21 de setembro de 1893 e faleceu no Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1955. Formou-se pela Faculdade Nacional de Medicina em 1918. Especializou-se em Obstetrícia, Ginecologia e Neonatologia. Recém-formado, combateu a gripe espanhola em Niterói e São Gonçalo, onde afinal se radicou. Três anos depois foi um dos fundadores do Hospital de São Gonçalo, cuja construção foi até 1934. Criou o Centro Cívico Rui Barbosa, a Biblioteca Luís Palmier Filho, o Lactário Infantil, o Instituto Fluminense de Cultura e o Instituto Gonçalense de Amparo a Meninas e Infantas. Colaborou na revista Ilustração Fluminense, lançada em 1921. Lecionou Microbiologia na Faculdade de Farmácia e Odontologia de Niterói, incorporada em 1929 como curso anexo à Faculdade Fluminense de Medicina.


Ainda em 1937, no início da construção da nova sede, Dra. Alzira recebeu a visita do Governador Collet, e de outras autoridades. Na inauguração do prédio ainda em obras em 17 de Outubro de 1939, estiveram presentes a Sra. Xavier da Silveira, os Srs. Drs. Gurgel Ruy Buarque, Secretário de Educação e Saúde, Dr. Augusto Amaral Peixoto, Diretor da Saúde Pública, Juiz da (...). A placa foi descerrada pelo Governador Amaral Peixoto, em 1939.

Nesse mesmo ano, Dra. Alzira assinou a Escritura do Educandário Vista Alegre.
Os RecursosPara obter recursos, foram feitas diversas campanhas. A renomada pianista Guiomar Novaes que ofereceu um Concerto em favor do Educandário.

Pequena Biografia de Guiomar Novaes
Nascida em 28 de Fevereiro de 1894, em São João da Boa Vista, SP e falecida em 7 de Março de 1979, São Paulo (SP). Como explicar o talento musical de uma pianista que começou a tocar aos 8 anos já com absoluto domínio da técnica, com poesia e precisão? Guiomar Novaes, a maior pianista brasileira e uma das maiores celebridades nos meios musicais da Europa e dos Estados Unidos no início do século XX, transfigurava-se de tal modo ao piano, tocando de forma arrebatadora, como se estivesse improvisando, que diziam parecer estar em transe ou ser a encarnação de um grande artista. Para alguns, sua genialidade era um mistério psicológico, um milagre musical. "Toca como se algum espírito estivesse soprando em seu ouvido os segredos mais profundos de toda a harmonia", escreveu um crítico do Times, dos Estados Unidos.

Descaso com a Memória
Em visita recente ao Educandário, eu e a Professora Ismênia - Historiadora e, à época, Diretora do Arquivo Público Estadual, que está pesquisando a vida de Alzira - descobrimos que não existem mais documentos da fundação do Educandário.

A Federação Eunice Weaver recolheu a documentação e, segundo sua Presidente, Marta Coutinho, em telefonema da Dra. Ismênia, os documentos foram queimados. Para nossa perplexidade, ainda no telefonema, a Presidente da Federação disse que quem fundou o Educandário foi Eunice Weaver e não, Alzira!

Mais perplexas ficamos quando a Sra. Taís Carrapatoso, que foi Presidente do Educandário, na década de 50, tendo trabalhado com a Dra. Alzira, disse à Professora Ismênia que a fundadora do Educandário foi Eunice Weaver!

É lamentável que fatos assim ocorram impunemente em nosso país... Sei que Alzira não se importava com louros, fama ou dinheiro, mas a sua reação, quando soube que retiraram a placa de bronze do Educandário, demonstra o apreço que tinha pela sua obra, e o Educandário foi sua obra, obra de toda uma vida!

A Retirada da Placa de Bronze

A placa de bronze que marcou a fundação do Educandário, em 17 de Outubro de 1939, foi retirada, pela Fundação Eunice Weaver, com Alzira viva:

Podem tirar a placa, mas não podem apagar que fui eu quem fundou o Educandário”.

Alzira Reis Vieira Ferreira

“O mais surpreendente é que apagaram”

Vicente Vieira Ferreira
Lilia Barcellos.

O Afastamento do Educandário
Nos anos 50, Alzira afastou-se da direção do Educandário. No início dos anos 60, depois da morte de seu marido, Alzira afastou-se de vez, mas sempre fazia visitas.

A Última Visita

Nos últimos anos, depois da morte de Alzira, o Educandário foi sendo desconsiderado pelas autoridades e se encontra em estado de quase absoluto abandono. Possui a Dra. Alzira uma enorme bagagem de trabalhos científicos, bem como várias publicações de fundo jornalístico e ainda várias poesias. Além de trabalhos esparsos sobre Pediatria, fez também publicar um magnífico Relatório sobre o Serviço de Lepra em Niterói.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina


Em meados dos anos 60, lembro-me de ter ido – com vovó, minha mãe e tio Vicente - levar um aparelho de tv que ela comprara para as crianças. Aliás, nessa viagem de jipe, vi pela primeira e única vez, minha avó dar gargalhadas. Ela, sempre tão contida, diante da súbita queda de um burro que puxava uma carroça, riu. Rimos todos. O pobre jumento escorregou na beira do asfalto. Quedas sempre despertam o riso, de acordo com Bergson. Lembro-me de um fato que vovó e meu pai costumavam contar: certa vez, descendo do bonde no Canto do Rio, no final da Praia de Icaraí, em Niterói, vovó Alzira caiu, e papai, nos seus doze anos, ao invés de acudi-la, sentou-se no meio fio morrendo de rir. Vovó foi acudida por estranhos – que também deviam estar rindo – e depois quis dar uns tabefes em meu pai, mas acabou rindo também.

A FEMINISTA

Pioneiras do Feminismo no Brasil, a anarquista Maria Lacerda de Moura e a médica Alzira Reis (ambas mineiras) foram das primeiras a sair em campo contra a tão propalada inferioridade
do sexo feminino.

Edgard Luís de Barros
Professor da USP

Pioneira do Feminismo no Brasil
Embora seu nome seja sempre omitido, Alzira sempre esteve a frente do seu tempo e de todos os movimentos pelos Direitos da Mulher, como atesta o texto acima. Ao lado de Maria Lacerda de Moura, foi pioneira do Feminismo no Brasil.

Pequena Biografia de Maria Lacerda de Moura
1887 – 1945
Escritora feminista brasileira nascida em Manhuaçu, Estado de Minas Gerais, historicamente envolvida intensamente com o movimento operário anarquista e considerada uma das pioneiras do feminismo no Brasil e uma das poucas ativistas que se envolveu diretamente com o movimento operário e sindical.


PRIMEIRAS ELEITORAS DO BRASIL

Em 1905, Alzira e duas amigas, Cândida Maria Souza e Clotilde de Oliveira, com base na Constituição, alistaram-se eleitoras.

É importante revelar a importância do Juiz de Minas Novas, Dr. Francisco Coelho Duarte Badaró, casado com Dona Luiza Pinheiro Nogueira, tia de Alzira, que entendia ser esse um direito das mulheres e concedeu o alistamento.

As três professoras votaram em separado, provocando grande revolta em Minas.

Pequena Biografia de Cândida Maria Santos
Professora. Era filha de Dona Eufrosina Miranda Santos, sobrinha do Major José Benício Simões de Miranda. Irmã de Benedito Camilo dos Santos, farmacêutico conhecido como Siô Dito, de Evaristo Mário e da sua gêmea Maria Cândida.

Pequena Biografia de Clotilde de Oliveira

Professora
De apelido Clozinha, seguindo o “Roteiro das Famílias de Minas Novas” pelas ruas da cidade, da autoria de Demósthenes César Jr., acreditamos que fosse filha do Promotor de Justiça e depois Juiz Municipal, Dr. Francisco Martiniano de Oliveira, por ser a única família com esse apelido na cidade e única a ter uma jovem de nome Clotilde Oliveira. (...) Ao lado do sobrado, onde por muitos anos morou o Promotor de Justiça e depois Juiz Municipal, Dr. Martiniano (Francisco Martiniano de Oliveira) com a sua velha mãe paralítica, Dona Antônia, a esposa Dona Marieta e os filhos Clozinha (Clotilde), Mimi (Semiramis), Humberto, Arthur e Gentil (...)

O Primeiro Voto Feminino do Brasil
A História Oficial registra o 1º voto feminino em 1926, em Mossoró, mas a verdade inconteste é que esse direito cabe a três jovens mineiras que votaram em 1905!

É importante destacar que Berta Lutz, reverenciada como a grande defensora do Voto Feminino, escreve o primeiro artigo sobre o tema em 1918... 13 anos depois das três mineiras votarem!

Pequena Biografia de Berta Lutz
Sufragista e Fundadora da Federação para o Progresso Feminino
Berta Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, em 1894. Zoóloga de profissão, em 1919 tornou-se secretária do Museu Nacional do Rio de Janeiro. O fato teve grande repercussão, considerando-se que na época o acesso ao funcionalismo público ainda era vedado às mulheres. Mais tarde, tornou-se naturalista na seção de botânica da mesma instituição. Em 1922, representou o Brasil na assembléia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos Estados Unidos, sendo eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. De volta ao Brasil, fundou a Federação para o Progresso Feminino, iniciando a luta pelo direito de voto para as mulheres brasileiras.

A Cassação dos Votos Femininos
Os votos das três moças foram cassados seis anos depois, segundo consta nos Anais da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Em trecho que Alzira publicou no opúsculo “Pelo Voto Feminino”, sob o pseudônimo de Selva Americana, temos a fala do Deputado Francisco Coelho Duarte Badaró Jr. reivindicando a glória do Voto Feminino para Minas Novas e não para o Rio Grande do Norte, como consta na História do Brasil.

O Exercício do Voto no Brasil
Antigua Vila feliz. Minas Novas está ubicada al norte del estado, a 543 km de Belo Horizonte y 216 km de Diamantina. Entre otros tantos atractivos, es el lugar privilegiado para conocer y comprar el artesanato de cerámica del Valle del Jequitinhonha. (...) Minas Novas posee una historia rica y singular. Con una actividad periodística importante, tuvo su primer periódico, o Jornal de Minas Novas, en 1898. También ocurrió aquí el primer voto femenino en Brasil cuando el Señor Francisco Coelho Duarte Badaró ayudó a votar una ley que permitía el ejercicio del voto en Brasil. (...)

http://www.culturamineira.com.ar/ciudades/minasnovas.htm


O Juiz que instituiu o Voto Feminino em Minas

Houve uma época no Brasil em que era facultativo aos juízes de Direito exercer as funções de deputado ou senador, com substituição mantida por outro bacharel, um juiz municipal.

Quando no exercício dessa função na comarca de Minas Novas, Francisco Coelho Duarte Badaró ajudou a votar uma lei que permitia o exercício do voto no Brasil, em vigor a partir de 1º de janeiro de 1905. Instaladas as eleições, o juiz convocou as professoras Alzira Nogueira Reis, Cândida Maria Santos e Clotilde de Oliveira e as qualificou como eleitoras, comunicando, em seguida, tal atitude ao Tribunal Regional Eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral, instituindo assim os primeiros votos femininos do Brasil.

Minas Novas, Sua História, Sua Gente.
Álvaro Pinheiro Freire


Pequena Biografia de Francisco Coelho Duarte Badaró
Juiz de Minas Novas e Embaixador do Brasil no Vaticano. Fez o Curso de Humanidades em Ouro Preto. Foi o Dr. Francisco Badaró bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1883, pela Faculdade do Largo de São Francisco, São Paulo. Em 1884, foi nomeado Promotor da Comarca de Minas Novas, que vagou com a morte do Dr. Antonio Joaquim César. Logo depois, por concurso, foi promovido para o cargo de Juiz Municipal, secundado para o de Juiz de Direito, em 21 de Abril de 1885. Nomeado Secretário da Província da Paraíba do Norte, não aceitou o cargo. Foi depositário do ideário republicano logo ao chegar, tornou-se amigo dos defensores desse ideal no vale: Coronel Firmo de Paula Freire, Dr. Joaquim César e Coronel Demóstenes César. Proclamada a República, na primeira legislatura com poderes constituintes foi eleito Deputado Federal em reconhecimento aos seus méritos. Teve passagem brilhante pela Constituinte de 1891. Por ser católico praticante, foi escolhido para apagar o fogo nas relações do novo governo com a Igreja e o Vaticano, sendo nomeado Ministro Plenipotenciário do Brasil em 18 de Julho de 1893, cargo que ocupou até 1896.


Discurso no Congresso de Minas Gerais
Na sessão de 27 de Agosto de 1927, o Deputado Francisco Coelho Duarte Badaró Jr. reivindicou a glória do Voto Feminino para Minas Gerais:

Sr. Presidente, traz-me à tribuna a pratica de um ato de rigorosa justiça. Venho concorrer para que se restabeleça a verdade em torno de facto que constitue alto subsídio para historia do feminismo no Brasil e em Minas Geraes, especialmente.
Todos nós, senhor presidente, acompanhamos com grandes sympathias a campanha em favor da “mulher eleitor”, hoje prestigiada pelo apoio oficial do governador do Rio Grande do Norte, sr. Juvenal Lamartine.

Não desejo sr. Presidente, e para tanto me falta competência, abordar o estudo da interessante these feminista. Quero, tão somente, que fique consignado nos Annaes do Congresso Mineiro que, não ao Rio Grande do Norte, mas a Minas Geraes coube a iniciativa de conceder o direito de cidadania à mulher brasileira.

Com efeito, sr. Presidente, na vigência da lei Rosa e Silva, na cidade de Minas Novas, e sendo juiz de direito o dr. Francisco Coelho Duarte Badaró, requereram e obtiveram o título de eleitor, três de minhas conterrâneas... De posse dos títulos, concorreram ellas a alguns pleitos eleitoraes...

Mais tarde, sr. Presidente, interposto recurso para a Junta de Revisão, nesta capital, foi o mesmo provido, resultando dahi a exclusão dessas senhoras dos livros de alistamento da comarca.

Não indago os motivos que levaram a Junta a assim decidir, mas elles não terão sido muito differentes daquelles que adoptou o Senado Federal não apurando os votos femininos dados ao senador José Augusto. Para Minas Novas, sr. Presidente, minha terra natal e um dos berços da civilização mineira, para Minas Geraes, reinvidico mais uma tradição liberal.
(Muito bem! Muito bem!).

Pequena Biografia de Francisco Coelho Duarte Badaró Jr.
Ministro interino da Justiça do Governo Vargas. Médico e Político. Primo irmão de Alzira. Nasceu em Minas Novas em 22 de Dezembro de 1892. Falecido em Belo Horizonte em 18 de Janeiro de 1970. Fez o Curso de Humanidades no Seminário de Diamantina. Cursou a Escola Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1917, tendo sido aluno do Dr. Miguel Couto e Gastão Cruls. Era o único médico da cidade de Minas Novas na década de 40. Desenvolveu continuada atividade política durante 30 anos, no Estado, tendo como base Minas Novas. Foi o maior líder político de Minas Novas. Deputado Estadual da 1ª e 2ª República. Deputado Federal.

A Confirmação do Discurso de Badaró
Descobrir documentos que comprovem o voto das três jovens mineiras em 1905 tem sido a nossa maior dificuldade.

O discurso de Badaró no Congresso de Minas, em 1927, foi extraído do opúsculo “Pelo Voto Feminino”, que Alzira escreveu, em 1930, porque o original ainda não foi descoberto nos Anais da Assembléia.

Foi, portanto, com muita alegria, que descobri o trabalho a seguir que nos deu, inclusive, a data do discurso de Badaró:

Se a década de 1920 foi marcada por crises de várias naturezas, foi também, e principalmente para o Estado de Minas Gerais, momento privilegiado de avanços democráticos e de conquistas sociais e políticas. A chegada de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada à Presidência do Estado, em 1926, representou a inauguração de um novo estilo de governar, marcado por conquistas há muito reclamadas pela sociedade.

Para além das inúmeras realizações na área da administração pública e do pioneirismo no sistema educacional, o Estado de Minas Gerais também saiu à frente de outras unidades da federação ao propor e implantar a reforma do sistema eleitoral. Ao incluir em sua primeira mensagem ao Legislativo a proposta de reforma eleitoral instituindo o voto secreto, Antônio Carlos deu mostras de audácia política e sua atitude repercutiu em todo o País. Mas, como era de se esperar, antes de ser votado e aprovado, tal projeto deu “pano para mangas”.

Aprovado, o projeto transformou-se na Lei 995, de 20 de setembro de 1927, “que institui o voto secreto e cumulativo, para as eleições estaduais e municipais do Estado de Minas Gerais”. Por essa mesma época, já era aventada em vários estados a possibilidade de estender o direito de voto às mulheres.

Essa era a principal bandeira de luta do incipiente movimento feminista, que, mesmo contando com a simpatia de algumas autoridades, só foi conquistada após o movimento revolucionário de 1930.

Na sessão de 27 de agosto de 1927, por exemplo, o deputado Francisco Badaró Júnior já falava a seus pares do pioneirismo de três mulheres do Norte de Minas na luta pelo voto feminino.

Aprendizado Democrático - A história do Parlamento mineiro

Maria Auxiliadora de Faria
Historiadora, diretora da Códice – Consultoria em História

Otávio Dulci
Sociólogo e cientista político, professor da UFMG.

Os dois são autores do livro “Diálogo com o Tempo – 170 anos do Legislativo Mineiro”, publicado pela ALMG.
http://www.almg.gov.br/RevistaLegis/Revista39/aprendizado_democratico.pdf

A Defesa do Voto Feminino
Grande tribuno, orador inflamado, dono de uma pena brilhante, Dr. João Pinheiro de Miranda França ficou famoso por defender a liberdade de voto para as mulheres, tendo sido o defensor da causa impetrada por petição de Cândida dos Santos, Clotildes de Oliveira e Alzira Nogueira Reis (sua prima), no ano de 1907, fazendo-as as primeiras eleitoras do Brasil.

Pequena Biografia de João Pinheiro de Miranda França
Nascido aos 25 de Abril de 1882, em Turmalina – MG, filho do Coronel José (JUCA) Pinheiro Ferreira França e de Senhorinha Rosa de Miranda França. Casado em 1918, com Dona Henriqueta Balthazar da Silveira, filha de um dos Ministros da Marinha do período Republicano que teve o Brasil, ao tempo do Presidente Campos Sales, Dr. Carlos Balthazar da Silveira; neta materna do Visconde de Itaboraí (Dr. José Ildefonso de Souza Ramos), por Dona Henriqueta Carolina de Souza Ramos. Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais em 1906, pela Faculdade de Direito de Minas, tendo sido orador oficial de sua turma. Grande tribuno, orador inflamado, dono de uma pena brilhante, ficou famoso por defender a liberdade de voto para as mulheres, tendo sido o defensor da causa impetrada por petição de Cândida dos Santos, Clotildes de Oliveira e Alzira Nogueira Reis, no ano de 1907, fazendo-as as primeiras eleitoras do Brasil. Deram-se grande destaque a sua atuação assim como o então Juiz de Direito da Comarca de Minas Novas, Dr. Francisco Coelho Duarte Badaró.

Carlos Eduardo Monteiro de Barros

As Notícias do Voto
O Jornal “A Esquerda”, de 7 de Julho de 1928 noticiou, na primeira página, o voto das três mineiras, com a manchete “Reivindicando para Minas mais uma Tradição Liberal”. O Redator foi Jader de Carvalho.

A citação ao voto pioneiros das três mineiras está em diversos trabalhos:

Ideologia e feminismo: a luta da mulher pelo voto no Brasil - Página 95 de Branca Moreira Alves – Women´s rights - 1980 - 197 páginas: ... em 1905: Alzira Vieira Ferreira Netto, mais tarde formada em medicina; Cândida Maria dos Santos, professora em escola pública, e Clotilde Francisca de ...

A mulher brasileira: direitos políticos e civis - Página 194 de João Batista Cascudo Rodrigues – Women´s rights - 1982 - 399 páginas: ... Alzira Vieira Ferreira Neto, mais tarde formada em medicina; Cândida Maria dos Santos, professora em escola pública, e Clotilde Francisca de Oliveira" ...

Dicionário do voto - Página 356- de Walter Costa Porto - Elections - 1995 - 390 páginas
94- 95) é a de que, muito antes, no ano de 1906, na comarca de Minas Novas, Minas Gerais, três mulheres, Alzira Vieira Ferreira Netto, mais tarde formada em ...

O voto no Brasil: da Colônia à 5a. República - Página 216 de Walter Costa Porto – Elections – 1989: Minas Gerais, três mulheres — Alzira Vieira Ferreira Netto, mais tarde formada em medicina. Candida Maria dos Santos, professora em escola pública e ...

As donas no poder: mulher e política na Bahia - Página 93 de Ana Alice Alcantara Costa – Women in politics - 1998 - 245 páginas: Três mulheres de Minas Gerais, Alzira Vieira Ferreira Neto (mais tarde formada em medicina), Cândida Maria dos Santos (professora de escola pública) e...

Sufragista
Por volta de 1931 ao regressar de Teófilo Otoni, Alzira alinhou-se com Berta Lutz na Luta pelo Voto Feminino, participando da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

Foto Histórica
No acervo fotográfico da Dra. Fernanda Barcellos, filha mais velha da Dra. Alzira, há uma foto histórica das Sufragistas com Getúlio Vargas no dia em que foi assinada a Lei do Voto Feminino.

Pelo Voto Feminino
Alzira escreveu com o pseudônimo de “Selva Americana”, um opúsculo chamado “Pelo Voto”, em 1930, publicado em Teófilo Otoni, Minas Gerais.

Os Laços Familiares
Conhecendo um pouco a história da família Nogueira, de Minas Novas, podemos entender a personalidade revolucionária de Alzira e mais, a sua ousadia... O certo é que teve, apesar do desespero de sua mãe, para suas ações libertárias, o respaldo dos homens da família e de sua tia materna: o avô, Senador José Bento Nogueira, o tio paterno, Deputado Nogueira Jr., o primo João Pinheiro de Miranda França, o tio Dr. Francisco Coelho Duarte Badaró, o primo Francisco Coelho Duarte Badaró Jr. e a tia materna, Dona Luiza Pinheiro Nogueira, conhecida como Sinhazinha Badaró, chefe política em Minas Novas.

Candidata à Constituinte
Seu nome foi apresentado em Chapa para a Constituinte de 1933, do Partido Economista do Estado do Rio.

Eram seus companheiros de chapa, entre outros, o Prefeito Alberto Rodrigues Fortes, Sr. Carlos Castrioto de Figueiredo e Melo, irmão do Prefeito Castrioto de Figueiredo, e fundador do Rotary de Niterói, em 1928, e o seu amigo Dr. Luis Palmier.

No acervo fotográfico de Antonieta Augusta Vieira Ferreira Morpurgo, sobrinha do marido da Dra. Alzira, temos a foto da chapa para a Constituinte com o nome de Alzira.

Paixão à Primeira Vista
Em sua mocidade, ainda estudante de Direito, Joaquim foi convidado pela Dra. Antonieta César Dias, terceira médica brasileira, para acompanhá-la e ao seu filho Admar Morpurgo, seu futuro cunhado, em viagem à Belo Horizonte. Lá chegando, foram recebidos por Alzira, estudante de Medicina, que, por ser a única mulher da faculdade, fora incumbida de receber a Dra. Antonieta. A paixão foi à primeira vista. Alzira ficou bastante impressionada pela palestra sobre Filosofia e Psicologia que aquele jovem de 18 anos fizera durante a tarde, mas recusava-se a admitir.

Em carta de 1969, Alzira escreveu para a sobrinha de seu marido, Antonieta Inocência Vieira Ferreira Morpurgo, quando da morte do seu pai, Dr. Admar Morpurgo:

Niterói, 17 de Dezembro de 1969
Rua Sebastião Dantas, 15/204 - Santa Rosa

Niêta:
Senti profundamente a morte de seu pai, que eu pretendia ir ver logo que regressasse à sua residência; o destino não quis. Também senti o silêncio que o zêlo excessivo pela minha saúde criou em tôrno de mim impedindo-me de prestar minha homenágem ao Morpurgo. Desculpe-me.

Não sei se você sabe que conheci Vieira através da Dra. Antonieta e do Morpurgo, em Belo Horisonte. Era eu estudante de Medicina e meu professor de Cirurgia, Dr. Borges da Costa, incumbiu-me de convidar a dra. Morpurgo a visitar a nossa Faculdade. Na pensão quem me recebeu primeiro foi Vieira, cuja palestra sôbre Filosofia e Psicologia prendeu-me logo a atenção. Nessa noite, num cinema, Vieira falou-me em casamento, e lá - então contrariando-me, a dra. brincou: “ Isso é filosofia ou namorosofia ?”

Eu então achava tudo absurdo por muitos motivos. Eu o relembro apenas para mostrar-lhe que Morpurgo estava ligado à minha vida e de Vieira indelevelmente. A doença nada respeita e no-lo roubou. Você perde o seu grande amigo, presente em todos os seus momentos.
Pezames, extensivos a Augusto e família, Cristina e Claudia.
Creia no meu profundo pezar.
Da tia e amiga
Alzira


Noivo Deserdado
Segundo sua filha, Dra. Fernanda Barcellos, voltando para Friburgo, onde morava com seus pais, Joaquim lhes disse que pretendia se casar, sendo deserdado pelo absurdo de querer casar-se, aos 18 anos, ainda estudante, e com uma mulher de 33 anos, “médica, ainda por cima”!

A Noiva em Fuga
Apesar das proibições da família, Joaquim voltou a Minas e as suas atribulações amorosas começaram. Em Belo Horizonte, soube na pensão que Alzira fugira para o interior para escapar das suas investidas. Mas Joaquim foi procurá-la em Minas Novas, formalizando o pedido diante da severa Dona Augusta.

O Divórcio
Ainda segundo sua filha Fernanda, Alzira não resistiu por muito tempo às declarações de Joaquim e aceitou o pedido, com a condição de que o casamento fosse só no religioso. Joaquim não entendeu.

Joaquim:
No Religioso? Mas a senhora é atéia!

Alzira:
Por isso mesmo, o casamento não terá valor legal algum. No civil, só me caso quando houver divórcio no Brasil. Recuso-me a ficar presa a um homem pelo resto da minha vida.

O Falso Noivo
Em Minas Novas havia um pretendente eterno à mão de Alzira: O seu primo, Deputado João Pinheiro de Miranda França, sobrinho e afilhado do seu avô, Senador José Bento Nogueira, a quem traíra em questões políticas. Alzira já havia recusado os pedidos do primo França diversas vezes:

“Entre o senhor e o meu avô, fico com o meu avô, de coração”.

Mas João França, como Alzira o chamava, não se conformava com a rejeição. Quando Alzira e Joaquim ficaram noivos, João França procurou Joaquim dizendo-lhe que ele e Alzira se amavam e iriam casar. Joaquim, indignado, rompeu o noivado e foi embora.

A Tentativa de Suicídio
Ainda segundo sua filha, Dra. Alzira cortou os pulsos com o bisturi, ato que negou até o fim dos seus dias por achar indigno uma mulher se matar por amor a um homem – mas as cicatrizes ficaram. Joaquim soube do ocorrido e voltou. Reconciliaram-se e casaram-se.

Cabeça de Família

Após sua formatura, Dra. Alzira clinicou em Minas Novas, Friburgo e Teófilo Otoni.”

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina

No início da vida conjugal, Dra. Alzira era quem mantinha a família enquanto Joaquim terminava os seus estudos de Direito. Era Alzira quem pagava as despesas e ensinava filosofia, francês e inglês para Vieira, ainda deserdado por seu pai. Joaquim só foi perdoado por seus pais quando Alzira engravidou da primeira filha, a Dra. Fernanda Barcellos.

A Mudança para Nova Friburgo
Por volta de 1920, Alzira e Joaquim se mudaram para Nova Friburgo, para a casa do sogro, Desembargador Vieira Ferreira, onde nasceram os dois primeiros filhos: Fernanda e José Bento.

A Volta para Minas Gerais
Em 1922, provavelmente, voltaram para Minas Novas. A carta de Alzira para sua sogra confirma que em 1924 e 1925, estavam lá:

23 Nov. 924
D. Honorina

Muito obrigada pela sua carta e de Maria, hontem recebidas, bem assim pelo telegramma de 8, agradecimentos extensivos ao Dr. Vieira, a quem enviamos também affectuosas visitas.

Fernanda ainda não sabe ler o cartão inglez de Maria mas eu o li para ella. Há dias ella, ao acordar, me disse e ao pai, todos ainda na cama: “Vou-me embora para Nictheroy e não volto mais”. "Que vai você fazer lá?" Perguntamos. “Brincar com Antonieta e levo papai, mamãe e Zé Bento”. Parece até que sonhava, pois dormiu logo outra vez.

Recebemos carta de Morpurgo, muito contente com a clínica de roça, onde está sosinho ou unico. Que continue bem, como Thereza e filhos, são votos sinceros.
Maria que mandou o vestido começado, com o figurino para eu acabal-o. Inda no dia 12 fez um vestido pa. Fernanda da flanella que a Sra. Mandou, é o 3º que faço dessa flanella, e o meu extreei hontem, assistindo a uma audiência de um processo que forjavam ha tempo contra Vieira (2 rábulas e o juiz, em julho, arrumaram 5 denúncias e 1 ex-officiio), mas agora estão muito gentis e o juiz propoz hontem, depois da audiência, ao queixoso Sérgio Costa, que era melhor “dar-se um tiro nesse processo”. Não acharam promotor ad hoc contra Vieira nem aqui nem na comarca e o tal processo ex-officio o juiz mandou para o Procurador, em B. Horizonte, e o Desembarador Tito telegraphou-nos: “Denuncia desprezada.”
Resta agora esse tal outro processo que Sergio Costa (zangou-se porque Vieira o denunciou num caso contra as posturas municipais, caso sobre o qual Chico Badaró consultou meu sogro) armou contra Vieira e para o qual depoz hontem a ultima testemunha forgicada (um denunciado por Vieira) e que, apezar disto, disse que “não sabia de nada”. Por isto e porque não encontraram promotor e já tomaram fogo na Relação, já o juiz está tão gentil connosco e quer dar “um tiro nisso”, como rabula mais sábio.
P.S. Preocupações fizeram-me esquecer de lembrar Vieira pa. Telegraphar a Maria no dia 10.
Muitos parabens nossos.
Depois elle escreve.
Alzira

A Mudança para Araçuaí
Joaquim foi nomeado Juiz Municipal em Araçuaí, onde residia o farmacêutico José Nogueira Reis, irmão de Alzira. A mudança se deu em Dezembro de 1925 ou em Janeiro de 1926:

Alzira Reis Vieira Ferreira
Clínica Geral de Senhoras, Gynecologia e Obstetrícia

Minas Novas, 27 de Dez. de 1925.

D. Honorina
Nenhuma notícia sua e de casa. Faz hoje 1 mez que Vieira chegou e siquer uma linha tivemos. Que não seja doença o móvel do silêncio, são meus desejos. Esta lhes vai dizer que pretendemos seguir para Arassuahy no dia 31, caso o permitttam as chuvas; si não, no dia 2 de janeiro. Já temos lá casa alugada, no alto da cidade, longe das águas e onde o clima é menos quente.

A sra. fique tranquilla pois Arassuahy foi sempre terra de velhos amigos que já esperam Vieira festivamente. Bôa cidade, sem os ranços (...) e egoístas de ma. nobre terra. Consta que o juiz Dr. Sabino se licenciará este anno, assim teremos Vieira breve juiz de direito, interino. Gosto de quanto o pode animar a supportar as agruras do começo de carreira; e se vai preparando para o concurso dentro de 20 mezes mais ou menos.

O Dr. Vieira é muito modesto e eu vejo como seria necessário para lhe fazer justiça maior e de utilidade futura para Vieira, um andamento do seu viver ao do nosso tempo, que vê mais quem mais visto está. Elle de certo me comprehenderá logo. Supremos logares na justiça...

Escrito no cabeçalho, na horizontal:
“Vieira está encaixotando os livros e escreverá depois”

A Mudança para Teófilo Otoni
Em 1927, mudam-se para Teófilo Otoni, onde nascem os dois últimos filhos: Joaquim, em Janeiro de 1927 e Vicente, em 1929.

Chamava-se “Ambulatório Infantil Moncorvo Filho”, a fundação da Dra. Alzira Reis Vieira Ferreira, que desde o primeiro instante contou com toda a dedicação e trabalho de seu colega Dr. Paiva.

O Ambulatório contou com todo apoio do Dr. Moncorvo Filho, que além dos auxílios necessários, prometeu uma visita ao Serviço, o que infelizmente não foi efetuado. Em Niterói, a Dra. Alzira ocupou durante a Interventoria Amaral Peixoto, o cargo de Médica do Centro de Saúde.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina

Segundo o depoimento do Sr. Petrônio, de Teófilo Otoni, contemporâneo de seus filhos, era voz corrente na cidade que “Vieira era aluno de Alzira”.

Alzira mantinha uma escola no fundo do quintal, o “Curso São Vicente”, que preenchia a falta de um ginásio na cidade. Quando o ginásio foi fundado, anos depois, Joaquim empregou-se como Professor de Francês. Alzira fundou o Pronto Socorro Infantil Moncorvo Filho, onde clinicava:

A Dra. Alzira Reis Vieira Ferreira foi a Primeira Médica diplomada pela Faculdade de Medicina de Minas Gerais. Foi igualmente a Primeira e Única representante feminina, formada em Medicina, que clinicou em Teófilo Otoni. Diplomada em 1920, já em 1926 chegava a esta cidade onde permaneceu até 1931.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina


Em 1930, eles se mudaram para Niterói. Viveram felizes por quatro décadas, até que Joaquim, aos sessenta anos de idade, falecesse dormindo, em 3 de Abril de 1961.

Tema de Estudos
Em João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), realizou-se mais um Simpósio Nacional de História, o maior encontro de historiadores do país. A UFF, como sempre, marcou um tento com a inauguração de alguns dos mais importantes simpósios temáticos do encontro. Juntou um deles, em animados debates sobre a história das mulheres, as professoras Adriana, Facina, Eulália Lobo, Ismênia de Lima Martins, Márcia Cavendish, Rachel Soihet e Suely Gomes Costa e pesquisadores de outros estados. Ismênia, na oportunidade, apresentou resultados de sua pesquisa sobre a biografia da Dra. Alzira Nogueira Reis, primeira mulher a votar e a formar-se médica em Minas Gerais. Aliás, avó da teatróloga Anamaria Nunes.

Lou Pacheco
Jornal Lig – Niterói


MARTINS, Ismenia de L. (Docente): A disputa das mulheres pelo espaço social masculino: um estudo de caso Dra. Alzira Nogueira Reis. Anais Eletrônicos do XXII Simpósio Nacional de História; 2003; XXII Simpósio Nacional de História; João Pessoa; BRASIL.

Pequena Biografia de Ismênia de Lima Martins
Historiadora, Professora Emérita da Universidade Federal Fluminense. Diretora do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Vice-Reitora da UFF.

Em 2003, em Minas Gerais, Alzira foi tema do Debate “História de Mulheres Médicas da Faculdade de Medicina – UFMG”, em comemoração à data da 1ª Médica graduada em Minas:

Historia de Mulheres Médicas da Faculdade de Medicina.
UFMG. 2003.
Local: Faculdade de Medicina UFMG
Cidade: Belo Horizonte

Comemoração da data da primeira médica graduada na UFMG
(pesquisa realizada pela Dra. Ismênia de Lima Martins Profª Emérita da UFF). Apresentação da pesquisa Dra. Alzira Nogueira Reis (1ª médica graduada na Faculdade de Medicina UFMG)
Mesa composta: Dra Iracema Mathilde Baccarini; Elizabeth Dias; Elza Machado; e Anayansi Correa Brenes

Com o workshop Mulheres médicas graduadas na Faculdade de Medicina da UFMG, a Faculdade de Medicina comemora, em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. A atividade começa às 9 horas, na sala 2037 da Unidade, com entrada franca. A presença feminina na Medicina - do início ao fim do século 20 - será abordada por cinco profissionais da área. A professora Ismênia de Lima Martins, da Universidade Federal Fluminense, fará um relato da trajetória de Alzira Nogueira Reis, a primeira médica a atuar em Minas, na década de 20. A ginecologista Iracema Mathilde Baccarini contará suas experiências durante os anos 40, enquanto Elizabeth Dias, especialista da área de Medicina do Trabalho, abordará a década de 60. Já o panorama atual será analisado pelas professoras Elza Machado de Melo e Helena Facury Barbosa, do departamento de Medicina Preventiva e Social. A atividade, que integra as comemorações dos 92 anos de fundação da Faculdade, é promovida pelo Núcleo de Estudos Mulher e Saúde, do departamento de Medicina Preventiva e Social.

A Homenagem
Em 2004, por iniciativa da Professora Ismênia de Lima Martins, foi homenageada dando o seu nome à 1ª Maternidade de Niterói.

20/05/2004 - 19:20
Niterói inaugura maternidade na segunda-feira

A Prefeitura de Niterói (RJ), município sob administração do petista Godofredo Pinto, inaugura, na segunda-feira (24), às 10h, a Maternidade Municipal Alzira Reis Vieira Ferreira, em Charitas. Antiga reivindicação da população, a unidade contará com 20 leitos, sala de parto e centro obstétrico.

Segundo a Fundação municipal de Saúde, na maternidade serão realizados partos normais e cesarianas que não necessitem de atendimento específico, desafogando os hospitais Antônio Pedro e Azevedo Lima. Para as obras de reforma foram investidos R$ 150 mil

A maternidade vai dar continuidade ao trabalho desenvolvido na rede municipal de saúde, uma vez que as gestantes realizam o pré-natal nas unidades básicas e nos módulos do Programa Médico de Família e passarão a ter uma referência da unidade para a qual serão encaminhadas na hora do nascimento do bebê.
Um dos diferenciais da unidade é que as mães poderão conhecer a maternidade antes mesmo do nascimento do filho. A iniciativa será possível graças ao sistema integrado com os médicos da rede pública, que permitirá abrir as instalações às gestantes para visitação. O objetivo é que as mães sintam-se amparadas e protegidas.

Outra novidade é que as gestantes poderão ter um acompanhante na hora do parto, que pode ser o marido ou um parente próximo,como acontece em hospitais particulares.

Alzira Reis
Alzira Reis nasceu em 8 de novembro de 1886, em Minas Novas, Minas Gerais. O pioneirismo foi a sua marca. Em 1905, Alzira e duas amigas, com base na Constituição, alistaram-se eleitoras, sendo a primeira mulher a votar no Brasil. Alzira sempre sonhou em ser médica, mas era impedida pelas leis
brasileiras.

Enviou diversos pedidos de autorização ao Ministério da Educação e por volta de 1911 recebeu o tão esperado documento para estudar Farmácia. Em 1920, Alzira formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas, tornando-se a primeira médica do Estado.

Em 1931, alinhou-se com a Federação para o Progresso Feminino, lutando pelo voto feminino e no ano seguinte lançou-se candidata à Assembléia Constituinte. Foi nomeada por Amaral Peixoto para clinicar no posto de saúde de Niterói e começou sua luta em defesa dos portadores do Mal de Hansen. Seis anos depois fundou o Educandário Vista Alegre, presidindo-o até meados dos anos 50 e foi presidente da Associação de Assistência aos Lázaros por mais de duas décadas.
Foram Pais de:
Fernanda Augusta Vieira Ferreira
José Bento Vieira Ferreira
Joaquim Miguel Vieira Ferreira
Vicente Fernando Vieira Ferreira

Fontes:

Minas Novas, Ontem e Hoje
Demósthenes César Jr.

Jornal A Esquerda, edição de 7/7/1928
Jader de Carvalho

Ideologia & Feminismo
Branca Moreira Alves – Ed. Vozes

O Voto de Saias:
A Constituinte de 1934 e a Participação das Mulheres na Política
Rita de Cássia Barbosa de Araújo
Estudos Avançados, 2003

Pesquisa
Anamaria Nunes Vieira Ferreira

2 comentários:

Cleice disse...
Anamaria atualmente trabalho na Casa de Oswaldo Cruz, no Departamento de Arquivo e Documentação uma das unidades da Fiocruz, em um projeto sobre hanseníase... Estou organizando o arquivo iconográfico do Heraclides Souza Araújo, um dos pesquisadores que atuaram na Fiocruz apartir de 1913 até a segunda metade do século XX. Nesse arquivo possui algumas imagens sobre a inauguração do Preventório de Vista Alegre, na qual encontra-se presente Alzira Reis Vieira Ferreira além de duas imagens enviadas ao Souza Araújo com inscrição no verso e assinatura de D. Alzira. Não sei se tais imagens são importantes para sua pesquisa... . caso queira ter acesso a tal documentação que ainda está sendo organizado você poderá entrar no site da fiocruz, unidade coc e enviar ou um email ou ligar para a sala de consulta: 3882-9124
Espero ter ajudado!!!
Boa sorte em sua pesquisa...
GRD bj Cleice
5 de maio de 2009 11:38

Lieden Maria disse...
Como filha de uma das Diretoras na gestão de dez anos da Sr.Thais Carraptoso gostaria de informar que não foi na gestão delas nem feita por nenhuma delas a exclusão do nome da D.Alzira, nem da placa com seu nome, do Educandário Vista Alegre e da Federação. Acompanhamos o trabalho, adolescentes ainda, de nossos pais que muitas vezes, morando em Icaraí e no Saco de São Francisco, acordavam de madrugada e iam para Itaboraí por causa de doença de alguma criança internada e do trabalho maravilhoso de doação feito por aqueles casais que dedicaram muito de suas vidas ao EVA principalmente e à Federação. Naquela época Dª Eunice Weaver era viva e na própria Federação a fundadora era considerada Dª Eunnice Weaver. Por favor, numa atitude louvável de resgatar memórias de pessoas que foram exemplos de abnegação e competência nos trabalhos sobre hanseníase não é cabível que um das diretorias que resgatou com sua equipe a beleza, funcionalidade, saneamento e, principalmente, a dignidade dos internos que tinham vergonha de serem filhos de hansenianos com sua inclusão na sociedade de Niterói e São Gonçalo, tenha o nome de sua Presidente inserido da forma como se encontra no artigo sobre DªAlzira levando o leitor a lhe imputar o "êrro" quando a prórpia DªEunice Weaver era viva e com seu trabalho reconhecido mundialmente, e não procurando saber o que realmente aconteceu. O trabalho da Federação na década da gestão Thaís Carrapatoso não pode ser motivo de comentário desabonador. As senhoras Thaís Carrapatoso, Juracy de Oliveira Carvalho ( minha mãe - com quase 90 anos ) e Moema Fuscaldo ainda estão vivas e lúcidas e podem contribuir e muito para resgatar a memória da Fundação e do EVA que era dirigido por elas, cabe ressaltar que elas também foram vítimas na época como o foi Dª Alzira porque a vaidade dos invejosos não pode conviver com obras de amor e dignidade em benefício de seus semelhantes quando os frutos de suas obras aparecem. Estou também tentando resgatar a parte da obra dessas senhoras maravilhosas que muito contribuíram com amor e dedicação para educar os filhos os hansenianos e alguns ex-internos procuram suas raízes e estão tentando se reencontar numa Comunidade do Orkut( basta procurar na pesquisa do orkut Educandário Vista Alegre ). Estou à disposição no telefone 96089960. Parabéns ao trabalho sobre Da. Alzira Nogueira.
Bjos,Lieden

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